Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019f6986
No ano em que o maior clarinetista que o Brasil conheceu, Abel Ferreira, faria 100 anos, o choro dá mostras de vivacidade. É quase um paradoxo que essa riquíssima manifestação da genuína alma brasileira seja forte o suficiente para driblar a falta de incentivos oficiais, a insensibilidade dos meios de comunicação e a amnésia generalizada. “Ele trazia a alma brasileira derramada em sua sonoridade ímpar. Artur da Távola, seguramente seu maior admirador, foi quem melhor o definiu, ‘alma sertaneja, toque mozarteano’”. O acervo do músico autodidata nascido na mineira Coromandel, autor de 50 músicas, entre as quais Chorando baixinho (1942), que o consagrou, amigo e parceiro de Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo (1958), permanece com os herdeiros à espera de compilação adequada. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro tem a guarda do sax e do clarinete, doados em 1995.
Na avaliação de Leonor Bianchi, editora da Revista do Choro, “a música instrumental fica apartada do que é popular porque não vai à sala de concerto. O público em geral tem interesse em samba, pagode e axé”. Ela atribui essa situação à falta de conhecimento e à pouca divulgação do gênero nas escolas.
Considerando-se o contexto, o gênero e o público-alvo, os argumentos trazidos pela autora do texto buscam
atribuir o desconhecimento da obra de Abel Ferreira ao ensino de música nas escolas.
reivindicar mais investimentos estatais para a preservação do acervo musical nacional.
destacar a relevância histórica e a riqueza estética do choro no cenário musical brasileiro.
apresentar ao leitor dados biográficos pouco conhecidos sobre a trajetória de Abel Ferreira.
constatar a impopularidade do choro diante da preferência do público por músicas populares.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
O objetivo principal do texto, considerando seu contexto de publicação e público-alvo, é valorizar o choro e a figura do clarinetista Abel Ferreira.
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Por que a alternativa C está correta?
A autora constrói sua argumentação em torno da resistência e da beleza do choro. Ela exalta a "riquíssima manifestação da genuína alma brasileira" e destaca a sofisticação estética descrita pela expressão "alma sertaneja, toque mozarteano". Ao resgatar a trajetória de Abel Ferreira (parceria com Pixinguinha, centenário e importância de suas obras), o texto legitima e destaca a relevância histórica e a riqueza desse gênero musical. -
Por que as outras alternativas estão incorretas?
- A: O texto menciona a falta de divulgação de música instrumental nas escolas em termos gerais (na fala de Leonor Bianchi), e não como causa específica para o desconhecimento da obra individual de Abel Ferreira.
- B: Embora mencione a "falta de incentivos oficiais" e o fato de o acervo estar com herdeiros aguardando compilação, o foco principal e a intenção argumentativa do texto não se restringem a uma reivindicação de investimento estatal.
- D: Os dados biográficos de Abel Ferreira são utilizados como recurso ilustrativo para dar relevo à importância do músico e do choro, e não como a finalidade central do texto.
- E: A menção à preferência do público por samba, pagode e axé serve para contextualizar o afastamento do choro das salas de concerto, mas o texto busca combater essa exclusão ao demonstrar a vivacidade e o valor do gênero, e não meramente se conformar ou constatar sua impopularidade.