Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c01

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
Médio

TEXTO II
Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço
[...]
às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno
começo
fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.
às vezes!...

CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).

Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico

A

incorpora seletivamente o discurso do seu opressor.

B

submete-se à discriminação como meio de fortalecimento.

C

engaja-se na denúncia do passado de opressão e injustiças.

Correta
D

sofre uma perda de identidade e de noção de pertencimento.

E

acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade igualitária.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que afirma que o eu lírico se engaja na denúncia do passado de opressão e injustiças. No poema, o eu lírico descreve situações de violência simbólica e física internalizadas, como ser policial que suspeita de si mesmo, porteiro que não se deixa entrar, e gestos de autoagressão. Essas imagens denunciam a opressão histórica sofrida pela população negra, evidenciando um posicionamento crítico e de denúncia, e não de aceitação ou passividade.

A alternativa que sugere incorporação seletiva do discurso do opressor está incorreta porque o poema não mostra uma adesão ao discurso opressor, mas sim uma representação crítica da internalização da violência. A opção que fala em submissão à discriminação como fortalecimento também não se sustenta, pois o texto não indica que a discriminação fortalece o eu lírico; ao contrário, ele se sente preso e violentado. A alternativa que menciona perda de identidade e pertencimento é parcialmente verdadeira, mas o foco principal do poema é a denúncia, não apenas a perda. Por fim, a opção sobre utopia igualitária não encontra respaldo no poema, que não aborda esperança em uma sociedade igualitária, mas sim a realidade opressiva.