Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5c01
O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento.
O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do filósofo, que se caracteriza por
reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético.
ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias.
associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade.
conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento.
compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A resposta correta é a que aponta a conciliação entre o rigor da investigação e a inquietude do questionamento. O texto de Merleau-Ponty descreve o filósofo como alguém que possui simultaneamente o gosto pela evidência (rigor) e o sentido da ambiguidade (inquietude), recusando-se a se instalar no saber absoluto e mantendo um movimento constante entre saber e ignorância. Essa característica de não se contentar com certezas fixas e estar sempre em busca, combinando método e abertura ao questionamento, é exatamente o que a alternativa D expressa.
A alternativa que fala em reunir antagonismos ao método dialético está incorreta porque, embora a dialética lide com contradições, o texto não menciona método dialético nem antagonismos de opiniões; o foco é a tensão entre evidência e ambiguidade.
A alternativa que menciona ajustar clareza ao inatismo das ideias está errada, pois o texto não aborda inatismo; a clareza (evidência) é combinada com ambiguidade, não com ideias inatas.
A alternativa que associa certeza do intelecto à imutabilidade da verdade é contrária ao texto, que afirma que o filósofo recusa o saber absoluto e a verdade imutável.
A alternativa que fala em compatibilizar estruturas do pensamento a princípios fundamentais é muito genérica e não capta a dinâmica específica de movimento entre saber e ignorância descrita no texto.