Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c03

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Gêneros Textuais e Argumentação
Médio

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela. A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.
Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.
Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro.
Houve um tempo em que havia tempo.
Houve um tempo.

SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas, 5 maio 2013 (fragmento).

Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que...” configura-se como uma estratégia argumentativa que visa

A

surpreender o leitor com a descrição do que as pessoas faziam durante o seu tempo livre antigamente.

B

sensibilizar o leitor sobre o modo como as pessoas se relacionavam entre si num tempo mais aprazível.

Correta
C

advertir o leitor mais jovem sobre o mau uso que se faz do tempo nos dias atuais.

D

incentivar o leitor a organizar melhor o seu tempo sem deixar de ser nostálgico.

E

convencer o leitor sobre a veracidade de fatos relativos à vida no passado.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A repetição do trecho “Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que...” funciona como uma estratégia argumentativa para sensibilizar o leitor, convidando-o a refletir sobre um passado em que as relações humanas eram mais simples, seguras e afetuosas. O cronista descreve cenas cotidianas — leiteiro, padeiro, namoro, visitas — que evocam nostalgia e um contraste com o presente, mas o foco não é apenas surpreender (alternativa A), pois a repetição não visa causar espanto, mas sim criar um tom de cumplicidade e saudade. Também não se trata de advertir o leitor jovem (alternativa C), pois o texto não faz crítica explícita ao uso do tempo atual, nem incentiva organização do tempo (alternativa D), já que não há proposta de ação. Por fim, não busca convencer sobre a veracidade dos fatos (alternativa E), mas sim despertar uma emoção e uma reflexão sobre a qualidade das relações humanas em um tempo mais aprazível. Assim, a alternativa que aponta a sensibilização do leitor sobre o modo como as pessoas se relacionavam é a correta.