Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c03

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
Médio

Esses chopes dourados
[...]
quando a geração de meu pai
batia na minha
a minha achava que era normal
a geração de cima
só podia educar a de baixo
batendo
quando a minha geração batia na de vocês
ainda não sabia que estava errado
mas a geração de vocês já sabia
e cresceu odiando a geração de cima
aí chegou esta hora
em que todas as gerações já sabem de tudo
e é péssimo
ter pertencido à geração do meio
tendo errado quando apanhou da de cima
e errado quando bateu na de baixo
e sabendo que apesar de amaldiçoados
éramos todos inocentes.

WANDERLEY, J. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento).

Ao expressar uma percepção de atitudes e valores situados na passagem do tempo, o eu lírico manifesta uma angústia sintetizada na

A

compreensão da efemeridade das convicções antes vistas como sólidas.

B

consciência das imperfeições aceitas na construção do senso comum.

Correta
C

revolta das novas gerações contra modelos tradicionais de educação.

D

incerteza da expectativa de mudança por parte das futuras gerações.

E

crueldade atribuída à forma de punição praticada pelos mais velhos.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a consciência das imperfeições aceitas na construção do senso comum. O poema de Jorge Wanderley reflete sobre a transmissão de valores entre gerações, destacando como práticas educativas violentas foram naturalizadas em determinada época ("a minha achava que era normal") e posteriormente questionadas. O eu lírico, pertencente à "geração do meio", reconhece que tanto apanhou quanto bateu, e que ambas as ações foram erradas, mas contextualiza esses erros como parte de um senso comum imperfeito e em transformação. A angústia central não é a efemeridade das convicções (alternativa incorreta), pois o poema não foca na transitoriedade, mas na aceitação de imperfeições como normais. Também não se trata de revolta das novas gerações (alternativa incorreta), já que o eu lírico não expressa revolta, mas uma reflexão melancólica. A incerteza sobre mudanças futuras (alternativa incorreta) não é o foco, pois o poema enfatiza o passado e o presente. Por fim, a crueldade da punição (alternativa incorreta) é mencionada, mas não é a síntese da angústia, que reside na consciência de que todos agiram dentro de um contexto de valores imperfeitos.