Ciências Humanas e suas Tecnologias
medium

Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5c04

Enunciado da Questão
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#História do Brasil Colonial
Médio

A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.

GÂNDAVO, P. M. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado).

A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a

A

simplicidade da organização social das tribos brasileiras.

B

dominação portuguesa imposta aos índios no início da colonização.

C

superioridade da sociedade europeia em relação à sociedade indígena.

D

incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses.

Correta
E

dificuldade experimentada pelos portugueses no aprendizado da língua nativa.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses. O cronista Pero de Magalhães de Gândavo, ao notar a ausência das letras F, L e R na língua indígena, faz uma associação etnocêntrica entre a falta dessas letras e a suposta ausência de Fé, Lei e Rei, concluindo que os indígenas viviam "desordenadamente". Essa interpretação revela a dificuldade dos portugueses em compreender a lógica cultural e linguística dos povos nativos, projetando seus próprios valores europeus como universais. A alternativa que afirma a simplicidade da organização social das tribos brasileiras é incorreta, pois a ausência de certas letras não indica simplicidade social; as sociedades indígenas possuíam estruturas complexas e distintas. A alternativa sobre dominação portuguesa imposta aos índios também não se sustenta, pois o texto não descreve ações de dominação, mas sim uma observação linguística. A alternativa que sugere superioridade europeia reflete o etnocentrismo do cronista, mas não é o que a questão demonstra; a questão evidencia justamente a incompreensão, não a superioridade. Por fim, a alternativa sobre dificuldade dos portugueses em aprender a língua nativa é incorreta, pois o texto não menciona dificuldade de aprendizado, mas sim uma interpretação preconceituosa da língua indígena.