Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5c04
Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras.
Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na
rigidez das normas jurídicas.
prevalência dos interesses privados.
solidez da organização institucional.
legitimidade das ações burocráticas.
estabilidade das estruturas políticas.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A resposta correta é a que aponta a prevalência dos interesses privados. O texto de Sérgio Buarque de Holanda destaca que, na sociedade brasileira, os vínculos pessoais e afetivos sempre foram mais decisivos do que as normas impessoais e racionais. Isso significa que os interesses privados (familiares, regionais, de facções) se sobrepõem aos interesses públicos, caracterizando o personalismo e a dificuldade de cooperação autêntica. As demais alternativas estão incorretas: a rigidez das normas jurídicas não é mencionada; ao contrário, o texto fala em atrofia das qualidades ordenadoras. A solidez da organização institucional é oposta à ideia de um todo incoerente e amorfo. A legitimidade das ações burocráticas não é abordada; o texto critica a falta de racionalização. A estabilidade das estruturas políticas também não se sustenta, pois o texto menciona lutas entre facções e regionalismos, indicando instabilidade.