Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c04
Essa pequena
Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena
O texto Essa pequena registra a expressão subjetiva do enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular. Observa-se, como marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto, o uso de
palavras emprestadas de língua estrangeira, de uso inusitado no português.
expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor.
palavras polissêmicas, que geram ambiguidade.
formas pronominais em primeira pessoa.
repetições sonoras no final dos versos.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A questão pede para identificar uma marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto. A alternativa correta aponta o uso de expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor. De fato, o texto de Chico Buarque utiliza expressões como "meu tempo é curto", "o dela sobra", "cabelo cinza", "cor de abóbora", "nossa novela", "meu dia voa", "ela não acorda", "vou até a esquina", "ela quer ir para a Flórida", "não canso de contemplá-la", "feito avarento", "conto os meus minutos", "cada segundo que se esvai", "cuidando dela", "anda noutro mundo", "esbanja suas horas ao vento", "pinta a boca e sai", "fique à vontade", "take your time", "vou penar com essa pequena", "o blues já valeu a pena". Essas expressões são típicas da fala cotidiana, informais, e criam uma sensação de intimidade e naturalidade, aproximando o eu lírico do leitor/ouvinte.
As demais alternativas estão incorretas: a alternativa que menciona palavras emprestadas de língua estrangeira não é a marca principal, pois há apenas um anglicismo ("take your time") e "blues", mas não são o traço mais característico da coloquialidade no texto. A alternativa sobre palavras polissêmicas gerando ambiguidade não se aplica, pois o texto é claro e não explora ambiguidades. A alternativa sobre formas pronominais em primeira pessoa é verdadeira (o eu lírico usa "meu", "eu", "me"), mas isso não é uma marca específica de coloquialidade, e sim de subjetividade. A alternativa sobre repetições sonoras no final dos versos refere-se a rimas, que são um recurso poético, mas não são exclusivas da linguagem coloquial e não são o foco da questão.