Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c08
Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: ― Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? ― Quero criar nada não... ― me deu resposta: ― Eu gosto muito de mudar... [...]
Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador
relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho.
descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra.
denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra.
mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente.
mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A resposta correta é a que mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente. No fragmento, Riobaldo, o narrador, reflete sobre a situação dos pobres, que "pouco se apegam" e vivem "no vago dos gerais", indicando uma liberdade precária. Ao mencionar Zé-Zim, um meeiro que "gosta muito de mudar", evidencia-se a instabilidade e a falta de vínculo com a terra, típicas de quem, embora livre formalmente, depende do fazendeiro para sobreviver. Essa dualidade entre liberdade e dependência é central na obra de Guimarães Rosa e reflete a desigualdade social no campo.
A alternativa que afirma que o narrador relata a história de Zé-Zim demonstrando pouca disposição em ajudar seus agregados está incorreta, pois Riobaldo não expressa falta de disposição; ele apenas observa a condição do meeiro.
A alternativa que descreve o processo de transformação de um meeiro em proprietário de terra está errada, pois o texto não menciona qualquer ascensão social de Zé-Zim.
A alternativa que denuncia falta de compromisso e desocupação dos moradores é equivocada, pois o texto não critica a ética de trabalho, mas sim a condição social.
A alternativa que afirma que o narrador mantém distanciamento narrativo condizente com sua posição social de proprietário de terras está incorreta, pois Riobaldo, embora seja fazendeiro, demonstra empatia e reflexão sobre a condição dos pobres, não se distanciando.