Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c08

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Variação Linguística e Identidade Cultural
Médio

Não tem tradução [...] Lá no morro, se eu fizer uma falseta / A Risoleta desiste logo do francês e do inglês / A gíria que o nosso morro criou / Bem cedo a cidade aceitou e usou [...] Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês / Tudo aquilo que o malandro pronuncia / Com voz macia é brasileiro, já passou de português / Amor lá no morro é amor pra chuchu / As rimas do samba não são I love you [...]

ROSA, N. In: SOBRAL, João J. V. A tradução dos bambas. Revista Língua Portuguesa. Ano 4, nº 54. São Paulo: Segmento, abr. 2010 (fragmento).

As canções de Noel Rosa [...] ainda são modernas. Nesse fragmento do samba Não tem tradução, por meio do recurso da metalinguagem, o poeta propõe

A

incorporar novos costumes de origem francesa e americana, juntamente com vocábulos estrangeiros.

B

respeitar e preservar o português padrão como forma de fortalecimento do idioma do Brasil.

C

valorizar a fala popular brasileira como patrimônio linguístico e forma legítima de identidade nacional.

Correta
D

mudar os valores sociais vigentes à época, com o advento do novo e quente ritmo da música popular brasileira.

E

ironizar a malandragem carioca, aculturada pela invasão de valores étnicos de sociedades mais desenvolvidas.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que afirma que o poeta propõe valorizar a fala popular brasileira como patrimônio linguístico e forma legítima de identidade nacional. No fragmento, Noel Rosa utiliza a metalinguagem para discutir a própria língua e a cultura do samba, destacando que expressões como "amor pra chuchu" e a gíria do morro são elementos genuinamente brasileiros, que não precisam de tradução para o francês ou inglês. O samba é apresentado como uma manifestação cultural que reflete a identidade nacional, e a fala popular é exaltada como patrimônio.

A alternativa que sugere incorporar costumes estrangeiros está incorreta, pois o texto critica a influência estrangeira, afirmando que o samba "não tem tradução" e que a gíria do morro é aceita pela cidade, sem necessidade de adaptação a outras línguas.

A alternativa que defende o respeito ao português padrão está errada, pois o texto valoriza justamente o oposto: a fala popular e as gírias, que fogem do padrão normativo.

A alternativa que fala em mudar valores sociais com o advento do samba não é o foco do fragmento; o texto não propõe uma mudança de valores, mas sim a valorização de uma expressão cultural já existente.

Por fim, a alternativa que ironiza a malandragem carioca está incorreta, pois o texto não ironiza, mas sim exalta a malandragem e a cultura do morro como autênticas e brasileiras.