Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c12

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#ironia
#variação linguística
#preconceito linguístico
#norma culta
#crônica
Médio

Só falta o Senado aprovar o projeto de lei [sobre o uso de termos estrangeiros no Brasil] para que palavras como shopping center, delivery e drive-through sejam proibidas em nomes de estabelecimentos e marcas. Engajado nessa valorosa luta contra o inimigo ianque, que quer fazer área de livre comércio com nosso inculto e belo idioma, venho sugerir algumas outras medidas que serão de extrema importância para a preservação da soberania nacional, a saber:
...
! Nenhum cidadão carioca ou gaúcho poderá dizer “Tu vai” em espaços públicos do território nacional;
! Nenhum cidadão paulista poderá dizer “Eu lhe amo” e retirar ou acrescentar o plural em sentenças como “Me vê um chopps e dois pastel”;
...
! Nenhum dono de borracharia poderá escrever cartaz com a palavra “borraxaria” e nenhum dono de banca de jornal anunciará “Vende-se cigarros”;
...
! Nenhum livro de gramática obrigará os alunos a utilizar colocações pronominais como “casar-me-ei” ou “ver-se-ão”.

PIZA, Daniel. Uma proposta imodesta. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8/04/2001.

No texto acima, o autor

A

mostra-se favorável ao teor da proposta por entender que a língua portuguesa deve ser protegida contra deturpações de uso.

B

ironiza o projeto de lei ao sugerir medidas que inibam determinados usos regionais e socioculturais da língua.

Correta
C

denuncia o desconhecimento de regras elementares de concordância verbal e nominal pelo falante brasileiro.

D

revela-se preconceituoso em relação a certos registros lingüísticos ao propor medidas que os controlem.

E

defende o ensino rigoroso da gramática para que todos aprendam a empregar corretamente os pronomes.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

O texto é uma crônica irônica que critica um projeto de lei que proíbe termos estrangeiros. O autor sugere medidas exageradas e absurdas, como proibir variações linguísticas regionais ("Tu vai", "Eu lhe amo") e usos populares ("borraxaria", "Vende-se cigarros"), além de abolir colocações pronominais formais. Essa hipérbole revela que o autor não apoia o projeto, mas o ridiculariza, mostrando que a língua é viva e diversa. A alternativa que aponta a ironia está correta porque o tom sarcástico e as sugestões extremas indicam uma crítica à tentativa de padronização forçada. As demais alternativas estão incorretas: a que afirma que o autor é favorável ao projeto contradiz a ironia evidente; a que diz que ele denuncia desconhecimento de regras ignora que ele critica a rigidez normativa; a que o acusa de preconceito linguístico confunde ironia com preconceito, pois o autor não defende as medidas, mas as expõe ao ridículo; e a que defende ensino rigoroso de gramática é oposta à crítica à imposição de regras artificiais.