Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c12
A crônica muitas vezes constitui um espaço para reflexão sobre aspectos da sociedade em que vivemos.
“Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. (...) Na verdade não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê.”
No terceiro parágrafo em “... não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua.”, a troca de De pelo Na determina que a relação de sentido entre “menino” e “rua” seja
de localização e não de qualidade.
de origem e não de posse.
de origem e não de localização.
de qualidade e não de origem.
de posse e não de localização.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A questão explora o efeito de sentido provocado pela substituição da preposição "de" pela contração "na" (em + a) na expressão "meninos de rua" versus "meninos na rua". A forma "de rua" indica uma qualidade ou condição inerente ao menino (como se ele fosse essencialmente um "menino de rua"), enquanto "na rua" indica uma localização espacial temporária (o menino está na rua, mas não é definido por isso). Portanto, a troca determina que a relação de sentido passa a ser de localização e não de qualidade. As demais alternativas estão incorretas: a opção que aponta origem e não posse confunde os conceitos, pois "de" não expressa origem nesse contexto; a opção que indica origem e não localização também erra, pois "na" expressa localização, não origem; a opção que sugere qualidade e não origem inverte a relação, já que "de" expressa qualidade; e a opção que menciona posse e não localização é inadequada, pois não há ideia de posse em nenhuma das expressões.