Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5c12
Os textos referem-se à integração do índio à chamada civilização brasileira.
I - “Mais uma vez, nós, os povos indígenas, somos vítimas de um pensamento que separa e que tenta nos eliminar cultural, social e até fisicamente. A justificativa é a de que somos apenas 250 mil pessoas e o Brasil não pode suportar esse ônus.(...) É preciso congelar essas idéias colonizadoras, porque elas são irreais e hipócritas e também genocidas.(...) Nós, índios, queremos falar, mas queremos ser escutados na nossa língua, nos nossos costumes.”
II - “O Brasil não terá índios no final do século XXI (...) E por que isso? Pela razão muito simples que consiste no fato de o índio brasileiro não ser distinto das demais comunidades primitivas que existiram no mundo. A história não é outra coisa senão um processo civilizatório, que conduz o homem, por conta própria ou por difusão da cultura, a passar do paleolítico ao neolítico e do neolítico a um estágio civilizatório.”
Pode-se afirmar, segundo os textos, que
tanto Terena quanto Jaguaribe propõem idéias inadequadas, pois o primeiro deseja a aculturação feita pela “civilização branca”, e o segundo, o confinamento de tribos.
Terena quer transformar o Brasil numa terra só de índios, pois pretende mudar até mesmo a língua do país, enquanto a idéia de Jaguaribe é anticonstitucional, pois fere o direito à identidade cultural dos índios.
Terena compreende que a melhor solução é que os brancos aprendam a língua tupi para entender melhor o que dizem os índios. Jaguaribe é de opinião que, até o final do século XXI, seja feita uma limpeza étnica no Brasil.
Terena defende que a sociedade brasileira deve respeitar a cultura dos índios e Jaguaribe acredita na inevitabilidade do processo de aculturação dos índios e de sua incorporação à sociedade brasileira.
Terena propõe que a integração indígena deve ser lenta, gradativa e progressiva, e Jaguaribe propõe que essa integração resulte de decisão autônoma das comunidades indígenas.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A alternativa correta aponta que Marcos Terena defende o respeito à cultura indígena por parte da sociedade brasileira, enquanto Hélio Jaguaribe sustenta a inevitabilidade do processo de aculturação e incorporação dos povos indígenas à sociedade nacional. No Texto I, Terena reivindica o direito de os povos indígenas manterem sua língua e seus costumes, criticando as ideias colonizadoras e genocidas que buscam eliminá-los cultural e fisicamente. No Texto II, Jaguaribe apresenta uma visão linear e evolucionista da história, argumentando que a integração do indígena ao estágio civilizatório é um processo histórico inevitável, o que resultaria no desaparecimento das comunidades indígenas como identidades distintas até o final do século XXI.
Análise das alternativas incorretas:
- A alternativa que afirma que ambos propõem ideias inadequadas está incorreta porque Terena não deseja a aculturação pela "civilização branca", mas sim a preservação de sua cultura, e Jaguaribe não propõe o confinamento de tribos, mas sim a sua diluição e integração na sociedade.
- A alternativa que sugere que Terena quer transformar o Brasil em uma terra só de índios e mudar a língua do país está incorreta porque ele reivindica apenas o direito de ser ouvido em sua própria língua e costumes dentro da pluralidade do país, sem pretensão de impor isso a toda a nação.
- A alternativa que menciona a obrigatoriedade de os brancos aprenderem tupi e a defesa de uma limpeza étnica por Jaguaribe está incorreta porque distorce as falas dos autores: Terena não exige o aprendizado do tupi pela população geral e Jaguaribe descreve um processo de assimilação cultural histórica, não uma eliminação física ou limpeza étnica deliberada.
- A alternativa que propõe uma integração lenta por Terena e uma decisão autônoma segundo Jaguaribe está incorreta porque Terena defende a autonomia e a preservação cultural (não uma integração gradual de desaparecimento), enquanto Jaguaribe vê o processo como uma imposição inevitável do fluxo histórico, e não como uma escolha autônoma dos indígenas.