Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c13

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#modernismo
#variante linguística
#sintaxe popular
#mário de andrade
#língua brasileira
Médio

―Precisa-se nacionais sem nacionalismo, (...) movidos pelo presente mas estalando naquele cio racial que só as tradições maduram! (...). Precisa-se gentes com bastante meiguice no sentimento, bastante força na peitaria, bastante paciência no entusiasmo e sobretudo, oh! sobretudo bastante vergonha na cara! (...) Enfim: precisa-se brasileiros! Assim está escrito no anúncio vistoso de cores desesperadas pintado sobre o corpo do nosso Brasil, camaradas.‖ (Jornal A Noite, São Paulo, 18/12/1925 apud LOPES, Telê Porto Ancona. Mário de Andrade: ramais e caminhos. São Paulo: Duas Cidades, 1972)

Jornal A Noite, São Paulo, 18/12/1925 apud LOPES, Telê Porto Ancona. Mário de Andrade: ramais e caminhos. São Paulo: Duas Cidades, 1972

No trecho acima, Mário de Andrade dá forma a um dos itens do ideário modernista, que é o de firmar a feição de uma língua mais autêntica, “brasileira”, ao expressar-se numa variante de linguagem popular identificada pela (o):

A

escolha de palavras como cio, peitaria, vergonha.

B

emprego da pontuação.

C

repetição do adjetivo bastante.

D

concordância empregada em Assim está escrito.

E

escolha de construção do tipo precisa-se gentes.

Correta

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a construção "precisa-se gentes". No português padrão, o verbo "precisar" seguido da partícula "se" (índice de indeterminação do sujeito) exige a preposição "de" (precisa-se de gentes). Mário de Andrade, ao omitir a preposição, emprega uma construção sintática popular, que aproxima a língua escrita da fala coloquial brasileira, em consonância com o ideário modernista de valorização de uma linguagem mais autêntica e nacional.

A alternativa que menciona a escolha de palavras como "cio", "peitaria", "vergonha" está incorreta porque essas palavras, embora coloquiais, não representam um desvio sintático; são escolhas lexicais que também contribuem para o tom popular, mas não são o elemento central identificado na questão.

A alternativa sobre o emprego da pontuação está incorreta, pois a pontuação no trecho é convencional e não apresenta inovação modernista significativa.

A alternativa que cita a repetição do adjetivo "bastante" está incorreta, pois a repetição é um recurso estilístico, mas não é uma variante de linguagem popular sintática.

A alternativa sobre a concordância em "Assim está escrito" está incorreta, pois a concordância está de acordo com a norma padrão (sujeito "anúncio" implícito).