Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c13
O autor do texto abaixo critica, ainda que em linguagem metafórica, a sociedade contemporânea em relação aos seus hábitos alimentares.
―Vocês que têm mais de 15 anos, se lembram quando a gente comprava leite em garrafa, na leiteria da esquina? (...) Mas vocês não se lembram de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é leite. Estou falando isso porque agora mesmo peguei um pacote de leite – leite em pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e estava escrito que é pasterizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau. Será que isso é mesmo leite? No dicionário diz que leite é outra coisa: ‘Líquido branco, contendo água, proteína, açúcar e sais minerais’. Um alimento pra ninguém botar defeito. O ser humano o usa há mais de 5.000 anos. É o único alimento só alimento. (...) Esse aqui examinando bem, é só pra botar fora. (...) Depois o pessoal ainda acha estranho que os meninos não gostem de leite. Mas, como não gostam? Não gostam como? Nunca tomaram! Múúúúúúú!‖ (FERNANDES, Millôr. O Estado de S. Paulo, 22 de agosto de 1999)
A crítica do autor é dirigida:
ao desconhecimento, pelas novas gerações, da importância do gado leiteiro para a economia nacional.
à diminuição da produção de leite após o desenvolvimento de tecnologias que têm substituído os produtos naturais por produtos artificiais.
à artificialização abusiva de alimentos tradicionais, com perda de critério para julgar sua qualidade e sabor.
à permanência de hábitos alimentares a partir da revolução agrícola e da domesticação de animais iniciada há 5.000 anos.
à importância dada ao pacote de leite para a conservação de um produto perecível e que necessita de aperfeiçoamento tecnológico.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A crítica do autor é dirigida à artificialização abusiva de alimentos tradicionais, com perda de critério para julgar sua qualidade e sabor. No texto, Millôr Fernandes ironiza o leite industrializado, que passa por processos como pasteurização e adição de vitaminas, tornando-se um produto artificial e distante do leite natural. Ele questiona se aquilo é realmente leite, pois o dicionário define leite como um líquido branco com água, proteína, açúcar e sais minerais, mas o produto industrializado é descrito como algo que "é só pra botar fora". A crítica não se refere ao desconhecimento das novas gerações sobre a importância do gado leiteiro para a economia nacional, pois o foco é a qualidade do alimento, não a economia. Também não aborda a diminuição da produção de leite, mas sim a transformação do produto. A permanência de hábitos alimentares desde a revolução agrícola é mencionada apenas como contraste, não como alvo da crítica. Por fim, a importância do pacote para conservação não é o ponto central; o autor critica justamente o excesso de processamento que descaracteriza o alimento.