Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c13
Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo:
O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é:
Descansem o meu leito solitário / Na floresta dos homens esquecida, / À sombra de uma cruz, e escrevam nela / – Foi poeta – sonhou – e amou na vida. (AZEVEDO, Álvares de)
Essa cova em que estás / Com palmos medida, / é a conta menor / que tiraste em vida. / É de bom tamanho, / Nem largo nem fundo, / É a parte que te cabe / deste latifúndio. (MELO NETO, João Cabral de)
Medir é a medida / mede / A terra, medo do homem, a lavra; / lavra / duro campo, muito cerco, vária várzea. (CHAMIE, Mário)
Vou contar para vocês / um caso que sucedeu / na Paraíba do Norte / com um homem que se chamava / Pedro João Boa-Morte, / lavrador de Chapadinha: / talvez tenha morte boa / porque vida ele não tinha. (GULLAR, Ferreira)
Trago-te flores, – restos arrancados / Da terra que nos viu passar / E ora mortos nos deixa e separados. (ASSIS, Machado de)
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A charge retrata um homem medindo uma cova com uma fita métrica, sugerindo a relação entre a morte e a posse da terra. A alternativa correta é a que apresenta o poema de João Cabral de Melo Neto, que fala de uma cova medida com palmos, associando-a a um latifúndio, ou seja, a única terra que o trabalhador possui é a da sepultura. As demais alternativas não estabelecem essa relação: a opção A fala de um leito solitário na floresta, mas sem a ideia de medida ou posse; a opção C trata do ato de medir a terra para lavrar, sem menção à morte; a opção D narra a história de um lavrador que não tinha vida, mas não menciona a cova medida; a opção E fala de flores e separação pela morte, mas sem a medição da cova.