Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5bdd
A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade.
A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à
reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.
No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao
sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.
campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.
domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.
paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.
âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A questão aborda a reflexão de David Hume sobre a eloquência no século XVIII. No texto, Hume critica a eloquência por apelar à imaginação e aos afetos, em detrimento da razão e da reflexão. Isso indica que, para ele, a eloquência se restringe ao âmbito da persuasão, ou seja, à capacidade de convencer o ouvinte por meio de apelos emocionais, e não por argumentos racionais. Essa visão é análoga às críticas de Platão aos sofistas, que também eram acusados de usar a retórica para persuadir sem compromisso com a verdade. Portanto, a alternativa que aponta o âmbito da persuasão está correta.
As demais alternativas estão incorretas: a alternativa que menciona o sistema de crenças kantiano não se aplica, pois Kant defende a objetividade do conhecimento baseada na razão, o que contrasta com a crítica de Hume à eloquência. A alternativa que fala do campo dos absolutos medievais também não se relaciona, pois Hume é um empirista cético, contrário a universais absolutos. A alternativa que cita o domínio da lógica aristotélica é inadequada, pois Hume critica justamente a falta de lógica na eloquência. Por fim, a alternativa que menciona o paradigma da racionalidade cartesiana também é incorreta, já que Descartes valoriza a razão, enquanto Hume aponta que a eloquência se afasta dela.