Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5be9

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura Brasileira
Médio

Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviu lá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango.

Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo

A

culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.

Correta
B

sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações.

C

ambiente de sonho, delineado por imagens perturbadoras.

D

incentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada.

E

espaço urbano marcado por uma política de isolamento das crianças.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta o culto ao medo infiltrado no cotidiano, pois a narrativa ficcional, ambientada na década de 1970, reflete o clima de repressão e vigilância do regime militar brasileiro, onde o medo era uma ferramenta de controle social presente nas relações diárias. A alternativa que menciona o sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações está incorreta, pois a questão não aborda a desinformação, mas sim a atmosfera de medo. A opção sobre ambiente de sonho com imagens perturbadoras não se sustenta, já que a narrativa não é onírica, mas sim realista e crítica. A alternativa que fala em incentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada é inadequada, pois o foco é político e social, não econômico. Por fim, a opção sobre espaço urbano com isolamento de crianças não corresponde ao contexto, que trata do medo generalizado, não de uma política específica de isolamento infantil.