Ciências Humanas e suas Tecnologias
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Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5bea

Enunciado da Questão
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#Ditadura Militar no Brasil
Médio

No cemitério, a sociedade religiosa encarregada do funeral, aterrorizada, apressou a cerimônia de tal forma que a mãe de Herzog perdeu o momento em que o caixão do filho começou a ser coberto pela terra. Quatro jornalistas que estavam presos no DOI chegaram para assistir ao sepultamento. Um se afastara, chorando. Dizia: Eles matam, eles matam! Não pergunte nada. Não podemos dizer nada. Eles matam mesmo. Falava-se baixo. Ouviram-se dois curtos discursos. O primeiro, da atriz Ruth Escobar: Até quando vamos suportar tanta violência? Até quando vamos continuar enterrando nossos mortos em silêncio? No segundo, Audálio Dantas recitou o Navio negreiro, de Castro Alves: Senhor Deus dos desgraçados / Dizei-me Vós, Senhor Deus / Se é mentira, se é verdade, / Tanto horror perante os céus.

GASPARI, E. A ditadura encurralada. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.

O acontecimento descrito no texto, ocorrido em meados dos anos 1970, atesta a seguinte característica do regime político-institucional vigente:

A

Incorporação da estética popular para justificar o ideal de integração nacional.

B

Afirmação da estratégia psicossocial para favorecer o objetivo de propaganda cívica.

C

Institucionalização de mecanismos repressivos para eliminar os focos de resistência.

Correta
D

Adoção de cerimoniais públicos para controlar as manifestações de grupos opositores.

E

Estatização de meios de comunicação para selecionar a divulgação de atos governamentais.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a institucionalização de mecanismos repressivos para eliminar os focos de resistência. O texto descreve o enterro do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura no DOI-Codi durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia apressada, o medo dos presentes, a presença de jornalistas presos e os discursos de denúncia evidenciam a repressão sistemática e violenta do regime contra opositores.

A alternativa que menciona a incorporação da estética popular está incorreta, pois o texto não trata de manifestações culturais ou integração nacional. A afirmação da estratégia psicossocial para propaganda cívica também não se aplica, já que o episódio revela o oposto: o silenciamento e a violência. A adoção de cerimoniais públicos para controlar manifestações opositoras é equivocada, pois o enterro não foi um ato oficial do regime, mas sim um momento de resistência e luto. Por fim, a estatização dos meios de comunicação não é mencionada no texto, que foca na repressão direta e na violência institucionalizada.