Ciências Humanas e suas Tecnologias
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Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5bea

Enunciado da Questão
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#Filosofia Política
Médio

A economia das ilegalidades se reestruturou com o desenvolvimento da sociedade capitalista. A ilegalidade dos bens foi separada da ilegalidade dos direitos. Divisão que corresponde a uma oposição de classes, pois, de um lado, a ilegalidade mais acessível às classes populares será a dos bens — transferência violenta das propriedades; de outro, à burguesia, então, se reservará a ilegalidade dos direitos: a possibilidade de desviar seus próprios regulamentos e suas próprias leis; e essa grande redistribuição das ilegalidades se traduzirá até por uma especialização dos circuitos judiciários; para as ilegalidades de bens — para o roubo — os tribunais ordinários e os castigos; para as ilegalidades de direitos — fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares — jurisdições especiais com transações, acomodações, multas atenuadas etc.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

O texto apresenta uma relação de cálculo político-econômico que caracteriza o poder punitivo por meio da

A

gestão das ilicitudes pelo sistema judicial.

Correta
B

aplicação das sanções pelo modelo equânime.

C

supressão dos crimes pela penalização severa.

D

regulamentação dos privilégios pela justiça social.

E

repartição de vantagens pela hierarquização cultural.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a gestão das ilicitudes pelo sistema judicial. O texto de Foucault descreve como o sistema judiciário, no capitalismo, passou a tratar de forma diferenciada as ilegalidades conforme a classe social: para as classes populares, punições severas para crimes contra a propriedade (roubo); para a burguesia, tratamentos mais brandos para infrações como fraudes e evasão fiscal, por meio de jurisdições especiais. Isso evidencia que o poder punitivo não é aplicado de forma igualitária, mas sim gerido de modo a atender interesses de classe, ou seja, há uma gestão diferenciada das ilicitudes pelo sistema judicial.

A alternativa que menciona a aplicação das sanções pelo modelo equânime está incorreta, pois o texto mostra justamente o oposto: a punição não é equânime, mas sim desigual conforme a classe.

A opção que fala em supressão dos crimes pela penalização severa também está errada, pois o texto não defende a supressão dos crimes, mas sim a gestão seletiva das ilegalidades.

A alternativa sobre regulamentação dos privilégios pela justiça social é inadequada, pois o texto não trata de justiça social, mas de como o sistema judiciário reproduz privilégios de classe.

Por fim, a opção que menciona repartição de vantagens pela hierarquização cultural não se sustenta, pois a hierarquização descrita é de classe social, não cultural.