Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5beb

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Interpretação de Texto
Médio

10 de maio Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na delegacia na primeira intimação. [...] O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidade de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele sabe disto, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O senhor Janio Quadros, o Kubstchek e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades. ...O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome tambem é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, nas crianças.

JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.

A partir da intimação recebida pelo filho de 9 anos, a autora faz uma reflexão em que transparece a

A

lição de vida comunicada pelo tenente.

B

predisposição materna para se emocionar.

C

atividade política marcante da comunidade.

D

resposta irônica ante o discurso da autoridade.

Correta
E

necessidade de revelar seus anseios mais íntimos.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a ironia no discurso da autora. Carolina Maria de Jesus, ao relatar o encontro com o tenente, utiliza a ironia para criticar a postura da autoridade. Inicialmente, ela elogia o tenente, mas em seguida questiona por que ele não leva suas observações aos políticos, evidenciando a inutilidade de falar com ela, uma 'pobre lixeira'. A ironia está presente na contradição entre o elogio inicial e a crítica implícita, mostrando que a autora não aceita passivamente o discurso do tenente, mas o subverte com seu questionamento.

A alternativa que menciona a lição de vida comunicada pelo tenente está incorreta porque a autora não absorve a lição; ela a questiona ironicamente. A predisposição materna para se emocionar não é o foco; a emoção é substituída pela crítica. A atividade política marcante da comunidade não é retratada; a autora age individualmente. A necessidade de revelar seus anseios mais íntimos não é o principal; a ironia é o recurso central.