Espanhol
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Questão de Espanhol #019f524e

Enunciado da Questão
Espanhol
#interpretação de texto
#espanhol
#gênero crônica
#crítica social
#tecnologia
#enem
Médio

Pequeño hermano Es, no cabe duda, el instrumento más presente y más poderoso de todos los que entraron en nuestras vidas. Ni la televisión ni el ordenador, no hablemos ya del obsoleto fax o de las agendas o los libros electrónicos, ha tenido tal influencia, tal predicamento sobre nosotros. El móvil somos nosotros mismos. Todo desactivado e inerte, inocuo, ya les digo. Y de repente, tras un viaje y tres o cuatro imprudentes fotos, salta un aviso en la pantalla. Con sonido, además, pese a que tengo también todas las alertas desactivadas. Y mi monstruo doméstico me dice: tienes un recuerdo nuevo. Lo repetiré: tienes un recuerdo nuevo. ¿Y tú qué sabes? ¿Y a ti, máquina demoníaca, qué te importa? ¿Cómo te atreves a decirme qué son o no son mis recuerdos? ¿Qué es esta intromisión, este descaro? El pequeño hermano lo sabe casi todo. Sólo hay una esperanza: que la obsolescencia programada mate antes al pequeño hermano y que nosotros sigamos vivos, con los recuerdos que nos dé la gana.

FERNÁNDEZ, D. Disponível em: www.lavanguardia.com. Acesso em: 5 dez. 2018 (adaptado).

No texto, o autor faz uma crítica ao(à)

A

conhecimento das pessoas sobre as tecnologias.

B

uso do celular alheio por pessoas desautorizadas.

C

funcionamento de recursos tecnológicos obsoletos.

D

ingerência do celular sobre as escolhas dos usuários.

Correta
E

falta de informação sobre a configuração de alertas no celular

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

Para compreender qual crítica é tecida pelo autor em sua crônica "Pequeño hermano", devemos analisar a relação do ser humano com o telefone celular apresentada ao longo do texto.

1. Análise do Título e Intertextualidade

O título "Pequeño hermano" (Pequeno irmão) é uma clara alusão intertextual ao clássico livro 1984, de George Orwell, no qual figura o "Gran Hermano" (Grande Irmão, ou Big Brother). Na obra literária, o Grande Irmão representa um Estado totalitário e vigilante que monitora constantemente as ações, os passos e até os pensamentos dos cidadãos, retirando-lhes a privacidade e a autonomia de escolha.

Ao apelidar o smartphone de "Pequeno irmão", o autor atualiza essa crítica de vigilância e invasão para a contemporaneidade: os celulares, que carregamos no bolso o tempo todo, exercem um monitoramento íntimo de nossas vidas e tomam iniciativas autônomas sem nossa permissão.


2. O Caso Específico e a Ingerência da Tecnologia

O autor ilustra essa invasão com uma situação vivida por ele mesmo:

  • Ele conta que mantinha todas as funções, alertas e notificações de seu celular desativadas.
  • Contudo, após realizar uma viagem e tirar algumas fotos, o celular dispara um aviso sonoro invasivo na tela com a seguinte mensagem automatizada: "tienes un recuerdo nuevo" (você tem uma lembrança nova).

Essa atitude do aparelho gera uma reação de forte indignação e ironia por parte do autor, expressa em perguntas como:

  • "¿Y tú qué sabes? ¿Y a ti, máquina demoníaca, qué te importa? ¿Cómo te atreves a decirme qué son o no son mis recuerdos? ¿Qué es esta intromisión, este descaro?" (E você o que sabe? E para você, máquina demoníaca, o que importa? Como você se atreve a me dizer o que são ou não são as minhas lembranças? O que é essa intromissão, esse atrevimento?)

A máquina, por meio de seus algoritmos, decide de forma autônoma o que deve ou não ser considerado marcante ou importante na vida do usuário, interferindo em sua própria esfera de sentimentos e memória subjetiva. Portanto, o texto apresenta uma crítica direta à ingerência do celular sobre as escolhas dos usuários.


Análise dos Distratores (Alternativas Incorretas)

  • conhecimento das pessoas sobre as tecnologias: Incorreta. O autor demonstra possuir amplo conhecimento sobre o aparelho, tanto que desativou todos os alertas e notificações previamente. A crítica foca na invasão de privacidade feita pelo dispositivo, não na ignorância técnica das pessoas.
  • uso do celular alheio por pessoas desautorizadas: Incorreta. O conflito relatado ocorre de forma direta entre o próprio autor e o seu próprio celular ("mi monstruo doméstico"), sem envolver terceiros ou o uso indevido de aparelhos alheios por outras pessoas.
  • funcionamento de recursos tecnológicos obsoletos: Incorreta. Embora o texto cite aparelhos obsoletos no início para fins de comparação de impacto histórico (como o fax ou agendas antigas), a crítica é direcionada ao comportamento intrusivo e autônomo da tecnologia contemporânea mais avançada (o smartphone), e não ao funcionamento de aparelhos do passado.
  • falta de informação sobre a configuração de alertas no celular: Incorreta. Não há falta de informação. O autor sabe configurar o aparelho e desativou as notificações; o ponto central de sua queixa é que, mesmo com todas as configurações de alerta desligadas, o sistema do smartphone burla essas restrições para enviar notificações automáticas de algoritmos de forma invasiva.