Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019f6986
A sequência dos quadrinhos conjuga lirismo e violência ao
sugerir a impossibilidade de manutenção dos afetos.
revelar os corpos marcados pela brutalidade colonial.
representar o abatimento diante da desumanidade vivida.
acentuar a resistência identitária dos povos escravizados.
expor os sujeitos alijados de sua ancestralidade pelo exílio.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A obra Cumbe, de Marcelo D'Salete, aborda a temática da escravidão no Brasil colonial sob a ótica da resistência e da humanidade dos sujeitos escravizados. Na sequência de quadrinhos apresentada, a violência da escravidão é representada, mas ela não anula a subjetividade e a afetividade dos personagens.
Ao conjugar o lirismo (expresso nos olhares, no silêncio, na proximidade e na cumplicidade entre os personagens) com a violência (representada pelas marcas do cativeiro e pelo contexto de opressão), a narrativa visual busca acentuar a resistência identitária dos povos escravizados (Alternativa D). Em vez de mostrá-los apenas como vítimas passivas ou corpos desumanizados, o autor destaca a manutenção de seus laços de afeto, dignidade e identidade como uma forma profunda de resistência contra a barbárie colonial.
Análise das alternativas incorretas:
- A está incorreta porque, ao contrário de sugerir a impossibilidade dos afetos, a sequência mostra que o afeto resiste e sobrevive mesmo em meio à dor.
- B está incorreta porque, embora a violência colonial esteja implícita, o foco principal da conjunção entre lirismo e violência não é a mera exibição de corpos mutilados ou da brutalidade física, mas sim a força subjetiva dos personagens.
- C está incorreta porque os personagens não são retratados em estado de total abatimento ou resignação passiva; há uma força latente na cumplicidade e no olhar entre eles.
- E está incorreta porque a narrativa de D'Salete valoriza e resgata a ancestralidade e a humanidade desses sujeitos, em vez de focar em uma perda total de sua identidade pelo exílio.