Questão de Linguagens #019f69c6
(Q10) Nos Estados Unidos da América, no século XIX, a passagem da polícia do sistema de justiça para o de governo da cidade significou também a passagem da noção de caça aos criminosos para a prevenção dos crimes, em um deslocamento do ato para o ator. Como na Europa, a ênfase na prevenção teria representado nova atitude diante do controle social, com o desenvolvimento pela polícia de uma habilidade específica, a de explicar e prevenir o comportamento criminoso. Isso acabou redundando no foco nas “classes perigosas”, ou seja, em setores específicos da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso. Nesse processo, desenvolveram-se os vários campos de saber vinculados aos sistemas de justiça criminal, polícia e prisão, voltados para a identificação, para a explicação e para a prevenção do comportamento criminoso, agora visto como “desviante”, como a medicina legal, a psiquiatria e, especialmente, a criminologia.
Na Europa ocidental, as novas instituições estatais de vigilância deveriam controlar o exercício da força em sociedades em que os níveis de violência física nas relações interpessoais e do Estado com a sociedade estavam em declínio. De acordo com a difundida teoria do processo civilizador, de Norbert Elias, no Ocidente moderno, a agressividade, assim como outras emoções e prazeres, foi domada, “refinada” e “civilizada”. O autor estabelece um contraste entre a violência “franca e desinibida” do período medieval, que não excluía ninguém da vida social e era socialmente permitida e até certo ponto necessária, e o autocontrole e a moderação das emoções que acabaram por se impor na modernidade. A conversão do controle que se exercia por terceiros no autocontrole é relacionada à organização e à estabilização de Estados modernos, nos quais a monopolização da força física em órgãos centrais permitiu a criação de espaços pacificados. Em tais espaços, os indivíduos passaram a ser submetidos a regras e leis mais rigorosas, mas ficaram mais protegidos da irrupção da violência na sua vida, na medida em que as ameaças físicas tornaram-se despersonalizadas e monopolizadas por especialistas.
Seriam mantidos a correção gramatical e os sentidos do texto caso o segundo período do primeiro parágrafo fosse reescrito da seguinte maneira: Porque nos países europeus houve empenho em prevenir crimes, o que representou nova atitude de controle social, o resultado foi o desenvolvimento de uma habilidade específica pelas autoridades policiais: a de explicar e prevenir o crime.
Certo
Errado
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A questão exige análise da correção gramatical e da preservação dos sentidos originais do texto após uma proposta de reescritura. A proposta apresentada está incorreta porque altera significativamente a estrutura sintática e os sentidos originais do período.
Análise detalhada das mudanças:
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Alteração de Foco e Estrutura Sintática:
- No texto original: "Nos países europeus, o empenho em prevenir crimes, que representou nova atitude de controle social, resultou no desenvolvimento..."
O sujeito da oração principal é "o empenho em prevenir crimes", e o verbo principal é "resultou". A relação de causa e efeito está implícita na ação do próprio sujeito (o empenho gerou o resultado). - Na reescrita proposta: "Porque nos países europeus houve empenho em prevenir crimes [...], o resultado foi o desenvolvimento..."
A oração principal é transformada em uma estrutura com verbo de ligação e predicativo ("o resultado foi o desenvolvimento..."), enquanto a informação que antes continha o sujeito principal é rebaixada a uma oração subordinada adverbial causal ("Porque nos países europeus houve empenho..."). Essa mudança drástica na hierarquia sintática altera o foco discursivo e a força argumentativa do texto.
- No texto original: "Nos países europeus, o empenho em prevenir crimes, que representou nova atitude de controle social, resultou no desenvolvimento..."
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Mudança de Referência do Pronome Relativo:
- No texto original: "...o empenho em prevenir crimes, que representou nova atitude de controle social..."
O pronome relativo "que" introduz uma oração explicativa e refere-se diretamente ao antecedente "o empenho em prevenir crimes" (ou especificamente a "empenho"). - Na reescrita proposta: "...houve empenho em prevenir crimes, o que representou nova atitude..."
O uso do pronome demonstrativo antecedendo o relativo ("o que") faz com que a referência passe a ser toda a situação expressa pela oração anterior ("o fato de ter havido empenho..."), e não mais especificamente o substantivo "empenho".
- No texto original: "...o empenho em prevenir crimes, que representou nova atitude de controle social..."
Embora a reescrita proposta respeite as normas gramaticais de forma isolada, ela falha no critério de manutenção dos sentidos originais, o que torna o item Errado (E).