Língua Portuguesa
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Questão de Língua Portuguesa #01a0df6f

Enunciado da Questão
Língua Portuguesa
#Coesão Textual e Articulação de Ideias
#Coesão Referencial
#Interpretação de Texto
#Progressão Temática
#Estrutura Textual
Médio

(Q12) O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.

Michel Foucault. **Vigiar e punir: nascimento da prisão**. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

O deslocamento mencionado pelo autor no primeiro parágrafo é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que, segundo ele, está “inscrita na própria indagação”.

A

Certo

Correta
B

Errado

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

Gabarito Oficial: Certo

1. Análise da Questão

O item avalia a progressão temática e a articulação coesiva entre o primeiro e o segundo parágrafos do texto (extraído da obra Vigiar e Punir, de Michel Foucault), afirmando que o "deslocamento do objeto da ação punitiva" citado no primeiro parágrafo é desdobrado e esclarecido no segundo parágrafo.

2. Fundamentação Teórica / Legal

No primeiro parágrafo, o autor postula: “Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva [...] Mudança de objetivo, certamente.”

No segundo parágrafo, a tese é explicitada e respondida:
“Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma.”

O "deslocamento" consiste exatamente na transição do alvo punitivo: da punição corporal (suplício do corpo) para o controle da alma/mente/comportamento.

3. Conclusão / Análise das Alternativas

A resposta que o autor qualifica como estando "inscrita na própria indagação" revela o deslocamento anunciado: a punição não se direciona mais ao corpo físico, mas sim à alma. Portanto, a afirmação está CERTA.