Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c03
Soneto VII
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma
angústia provocada pela sensação de solidão.
resignação diante das mudanças do meio ambiente.
dúvida existencial em face do espaço desconhecido.
intenção de recriar o passado por meio da paisagem.
empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra.
Official Explanation / Community Explanations
A resposta correta é a que aponta a empatia entre os sofrimentos do eu lírico e a agonia da terra. No soneto, o eu lírico descreve a transformação da paisagem (o prado diferente, a fonte que já não existe, o monte no lugar do vale) e, nos versos finais, estabelece uma relação direta entre seus males e a degeneração da natureza: "Meus males, com que tudo degenera!". Isso revela que a percepção da paisagem degradada reflete o estado interior do eu lírico, estabelecendo uma identificação entre seu sofrimento e a agonia da terra.
A alternativa que menciona angústia por solidão não se sustenta, pois o poema não enfatiza a solidão, mas sim a transformação da paisagem e sua conexão com o estado emocional do eu. A resignação diante das mudanças ambientais também não é o foco, já que o eu lírico não se resigna, mas expressa estranhamento e sofrimento. A dúvida existencial não é o tema central, pois o eu lírico não questiona sua existência, mas sim a mudança do lugar. A intenção de recriar o passado pela paisagem não é evidenciada, pois o eu lírico apenas constata as mudanças, sem tentar reconstruí-las. Portanto, a empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra é a interpretação mais adequada.