Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c03

Enunciado da Questão
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Literatura
Médio

Soneto VII
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!

COSTA, C. M. Poemas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012.

No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma

A

angústia provocada pela sensação de solidão.

B

resignação diante das mudanças do meio ambiente.

C

dúvida existencial em face do espaço desconhecido.

D

intenção de recriar o passado por meio da paisagem.

E

empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra.

Correta

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A resposta correta é a que aponta a empatia entre os sofrimentos do eu lírico e a agonia da terra. No soneto, o eu lírico descreve a transformação da paisagem (o prado diferente, a fonte que já não existe, o monte no lugar do vale) e, nos versos finais, estabelece uma relação direta entre seus males e a degeneração da natureza: "Meus males, com que tudo degenera!". Isso revela que a percepção da paisagem degradada reflete o estado interior do eu lírico, estabelecendo uma identificação entre seu sofrimento e a agonia da terra.

A alternativa que menciona angústia por solidão não se sustenta, pois o poema não enfatiza a solidão, mas sim a transformação da paisagem e sua conexão com o estado emocional do eu. A resignação diante das mudanças ambientais também não é o foco, já que o eu lírico não se resigna, mas expressa estranhamento e sofrimento. A dúvida existencial não é o tema central, pois o eu lírico não questiona sua existência, mas sim a mudança do lugar. A intenção de recriar o passado pela paisagem não é evidenciada, pois o eu lírico apenas constata as mudanças, sem tentar reconstruí-las. Portanto, a empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra é a interpretação mais adequada.