Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Question #019e5c07

Question Statement
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Interpretação de Texto
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Verbo ser
QUE VAI SER quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.

ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992.

A inquietação existencial do autor com a autoimagem corporal e a sua corporeidade se desdobra em questões existenciais que têm origem

A

no conflito do padrão corporal imposto contra as convicções de ser autêntico e singular.

Correct
B

na aceitação das imposições da sociedade seguindo a influência de outros.

C

na confiança no futuro, ofuscada pelas tradições e culturas familiares.

D

no anseio de divulgar hábitos enraizados, negligenciados por seus antepassados.

E

na certeza da exclusão, revelada pela indiferença de seus pares.

Official Explanation / Community Explanations

A resposta correta é a que aponta o conflito entre o padrão corporal imposto e as convicções de ser autêntico e singular. No poema, o eu lírico questiona a imposição de um padrão de corpo, jeito e nome ao crescer, refletindo sobre a pressão social para se adequar a um modelo preestabelecido. A inquietação existencial surge justamente desse embate entre o que a sociedade espera e o desejo de ser autêntico e singular, como evidenciado nos versos "Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?" e "Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser.".

A alternativa que menciona a aceitação das imposições da sociedade está incorreta, pois o poema expressa resistência e questionamento, não aceitação passiva. A que fala em confiança no futuro ofuscada por tradições familiares não se sustenta, já que o texto não aborda tradições familiares. A opção sobre o anseio de divulgar hábitos enraizados negligenciados por antepassados também não encontra respaldo no poema. Por fim, a alternativa que aponta a certeza da exclusão pela indiferença dos pares é inadequada, pois o poema não menciona pares ou indiferença, mas sim uma reflexão interna sobre a identidade e a pressão social.