Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c07
Verbo ser
QUE VAI SER quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
A inquietação existencial do autor com a autoimagem corporal e a sua corporeidade se desdobra em questões existenciais que têm origem
no conflito do padrão corporal imposto contra as convicções de ser autêntico e singular.
na aceitação das imposições da sociedade seguindo a influência de outros.
na confiança no futuro, ofuscada pelas tradições e culturas familiares.
no anseio de divulgar hábitos enraizados, negligenciados por seus antepassados.
na certeza da exclusão, revelada pela indiferença de seus pares.
Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad
A resposta correta é a que aponta o conflito entre o padrão corporal imposto e as convicções de ser autêntico e singular. No poema, o eu lírico questiona a imposição de um padrão de corpo, jeito e nome ao crescer, refletindo sobre a pressão social para se adequar a um modelo preestabelecido. A inquietação existencial surge justamente desse embate entre o que a sociedade espera e o desejo de ser autêntico e singular, como evidenciado nos versos "Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?" e "Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser.".
A alternativa que menciona a aceitação das imposições da sociedade está incorreta, pois o poema expressa resistência e questionamento, não aceitação passiva. A que fala em confiança no futuro ofuscada por tradições familiares não se sustenta, já que o texto não aborda tradições familiares. A opção sobre o anseio de divulgar hábitos enraizados negligenciados por antepassados também não encontra respaldo no poema. Por fim, a alternativa que aponta a certeza da exclusão pela indiferença dos pares é inadequada, pois o poema não menciona pares ou indiferença, mas sim uma reflexão interna sobre a identidade e a pressão social.