Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
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Pregunta de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias #019e5c05

Enunciado de la Pregunta
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
#Metalinguagem
Medio

À garrafa
Contigo adquiro a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.
Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.
Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,
numa explosão
de diamantes.

PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a)

A

reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por translúcida pões”.

B

subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a precisão metafórica, como se observa em “prisão da forma”.

C

visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da criação poética, conforme expressa o verso “e te estilhaces, suicida”.

D

processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos “numa explosão / de diamantes”.

Correcto
E

necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia, simbolicamente comparada à “garrafa” a ser “estilhaçada”.

Explicación Oficial / Explicaciones de la Comunidad

A resposta correta é a que identifica no poema um processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos “numa explosão / de diamantes”. O poema “À garrafa” metaforiza o fazer poético: a garrafa, com seu estreito gargalo e transparência, simboliza a forma poética que contém e molda a palavra. O eu lírico adquire a astúcia de conter e conter-se, e a garrafa, ao se estilhaçar, explode em diamantes – metáfora da transformação da palavra em poesia, algo belo e valioso. As demais alternativas são incorretas: a que menciona “Por translúcida pões” não expressa limitação, mas sim a capacidade de revelar o interior; a que cita “prisão da forma” não indica subserviência, mas sim a tensão entre forma e liberdade; a que fala em pessimismo ignora o desfecho positivo da explosão em diamantes; e a que defende libertação da poesia confunde o sentido, pois a garrafa não é a poesia, mas a forma que a poesia utiliza para se transformar.