Ciências Humanas e suas Tecnologias
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Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5bf0

Enunciado da Questão
Ciências Humanas e suas Tecnologias
#História do Brasil
Médio

A Revolta da Vacina (1904) mostrou claramente o aspecto defensivo, desorganizado, fragmentado da ação popular. Não se negava o Estado, não se reivindicava participação nas decisões políticas; defendiam-se valores e direitos considerados acima da intervenção do Estado.

CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Cia. das Letras, 1987 (adaptado).

A mobilização analisada representou um alerta, na medida em que a ação popular questionava

A

a alta de preços.

B

a política clientelista.

C

as reformas urbanas.

D

o arbítrio governamental.

Correta
E

as práticas eleitorais.

Explicação Oficial / Explicações da Comunidade

A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro, foi uma reação popular contra a campanha de vacinação obrigatória imposta pelo governo federal, liderado pelo presidente Rodrigues Alves e pelo sanitarista Oswaldo Cruz. A população, especialmente das camadas mais pobres, via a medida como uma invasão do Estado em sua vida privada e uma imposição arbitrária, sem consulta ou diálogo. O texto de José Murilo de Carvalho destaca que a revolta não questionava o Estado em si, nem buscava participação política, mas sim defendia valores e direitos que considerava ameaçados pela intervenção estatal. Assim, o que estava em jogo era o arbítrio governamental, ou seja, a imposição de uma decisão autoritária sem considerar a vontade ou as condições da população. A alternativa que aponta o arbítrio governamental está correta porque capta exatamente esse sentimento de defesa contra uma ação estatal vista como arbitrária e desrespeitosa. As demais alternativas não se aplicam: a alta de preços não era o foco da revolta; a política clientelista refere-se a troca de favores, não à questão; as reformas urbanas, embora ocorressem na época (como a reforma Pereira Passos), não foram o estopim; e as práticas eleitorais não estavam em discussão, já que a revolta não tinha caráter de reivindicação política formal.