Questão de Ciências Humanas e suas Tecnologias #019e5beb
Na construção da ferrovia Madeira-Mamoré, o que dizer dos doentes, eternos moribundos a vagar entre delírios febris, doses de quinino e corredores da morte? O Hospital da Candelária era santuário e túmulo, monumento ao progresso científico e preâmbulo da escuridão. Foi ali, com suas instalações moderníssimas, que médicos e sanitaristas dirigiram seu combate aos males tropicais. As maiores vítimas, contudo, permaneceriam na sombra à margem do palco, cobaias sem consolo, credores sem nome de uma sociedade que não lhes concedera tempo algum para ser decifrada.
No texto, há uma crítica ao modo de ocupação do espaço amazônico pautada na
discrepância entre engenharia ambiental e equilíbrio da fauna.
incoerência entre maquinaria estrangeira e controle da floresta.
incompatibilidade entre investimento estatal e proteção aos nativos.
competição entre farmacologia internacional e produtos da fitoterapia.
contradição entre desenvolvimento nacional e respeito aos trabalhadores.
Explicação Oficial / Explicações da Comunidade
A resposta correta é a que aponta a contradição entre desenvolvimento nacional e respeito aos trabalhadores. O texto descreve a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, um empreendimento que simbolizava o progresso e a modernidade, mas que tratou os trabalhadores de forma desumana, como 'cobaias sem consolo' e 'credores sem nome'. A crítica reside no fato de que o desenvolvimento nacional (a ferrovia) foi alcançado à custa do sofrimento e da desvalorização dos operários, muitos dos quais adoeceram e morreram sem qualquer reconhecimento.
A alternativa que menciona a discrepância entre engenharia ambiental e equilíbrio da fauna está incorreta porque o texto não aborda questões ambientais ou de fauna, focando-se no sofrimento humano.
A alternativa que fala em incoerência entre maquinaria estrangeira e controle da floresta também está incorreta, pois o texto não discute a origem da maquinaria ou o controle da floresta, mas sim as condições dos trabalhadores.
A alternativa sobre incompatibilidade entre investimento estatal e proteção aos nativos é inadequada, pois o texto não menciona nativos ou investimento estatal; o foco são os trabalhadores da ferrovia.
Por fim, a alternativa que trata de competição entre farmacologia internacional e produtos da fitoterapia não se sustenta, já que o texto menciona o uso de quinino e o Hospital da Candelária, mas não estabelece uma competição entre farmacologia e fitoterapia; a crítica é sobre o tratamento dado aos doentes.